Às vezes eu me pergunto, se o amor entre os seres humanos seria apenas uma ilusão criada para suportar os dissabores do mundo, uma válvula de escape para a realidade nua e crua diante da visão distorcida.
Alguns querem o poder, outros dinheiro (ambos intimamente relacionados), outros querem liberdade, ou simplismente a felicidade. Sim, a felicidade. A busca por ela é a maior demonstração do egoísmo humano, na maioria dos casos é uma busca individual, ignorando o todo. Isso, eu poderia dizer, ser resultado direto da mentalidade capitalista liberal vigente, mas talvez seja muito mais além. Desde que o mundo é mundo, o que impera é a lei do mais forte, é cada um por isso, lutando pela sobrevivência, querendo garantir o seu, prejudicando a do outro ou simplismente se tornando alheia à ela. Paradoxalmente, a felicidade própria depende da existência do outro. As pessoas se relacionam, brigam, se matam; trabalham para si, pensam em si. Na maior parte dos casos, o interesse do outro só se torna interessante a partir do momento em que ele te atinge. E no meio dessa tempestade de egocentrismo, ouvem-se muitos "Eu te amo", "Vocé é a minha vida", " "
"Sem você eu morro". Se pararmos pra pensar esse amor louco capaz de morrer sem a presença do outro não é dedicação ao outro, mas sim uma necessidade de posse do outro para atingir a felicidade própria. A felicidade plena , obviamente é inalcançável, mas eternamente é procurada. Ou então são palavras jogadas que não tem sentido nenhum para quem as pronuncia. Dizer "Eu te amo" é muito fácil, tornando-se até mesmo banal.
Essa reflexão, talvez precipitada da minha parte, apenas é uma gota do que vejo estampado no rosto de muitas pessoas. Amar torna-se cansativo , as pessoas não tem tempo para pensar nas outras, os relacionamentos são superficiais e pouco duráveis. Pintar as coisas é uma tarefa boba, vivê-las é a parte árdua.
Para os românticos, para mim, torna-se difícil bater de frente à essas coisas.
A despeito da primeira frase do texto, termino por fielmente acreditar no ser humano, na sua capacidade de trnasformação, na sua consciência. O mundo pode ser mudado, as relações humanas alteradas. Concordo com Drummond, flores nascem e nascerão nas ruas, furando o tédio, o nojo e o ódio.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Não sei se você já acordou num dia daqueles em que a luz do sol não te traz alegria, ou pior , o céu está nublado. O tédio é a antecipação da melancolia. As coisas parecem não ter ênfase. A vontade é de dormir e acordar só no dia seguinte, com o pensamento de que este será melhor. Qual a explicação para isso? Acredito não existir, simplesmente alguns dias são melhores, outros não. Consequência da vida. Todo mundo está sujeito a altos e baixos, mesmo que em alguns isso se manifeste de forma mais assídua e visível. As pessoas, você não entende as pessoas. E justo nesse momento elas parecem dizer tudo o que você não quer ouvir, que na maioria das vezes é interpretado por você errôneamente.
Não quero dizer que te amo,
Não posso , é contra- indicação.
Mas eu preciso.
E esse precisar que odeio tanto
Se torna tão intransigente
Que me força a demonstrar
Aquilo que as palavras são incumbidas de não dizer.
Não quero dizer que te amo,
Não posso , é contra- indicação.
Mas eu preciso.
E esse precisar que odeio tanto
Se torna tão intransigente
Que me força a demonstrar
Aquilo que as palavras são incumbidas de não dizer.
A flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me''?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver .
Ração diária de erro, distribuída em casa. Os ferozes padeiros do mal.
ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento -me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me''?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver .
Ração diária de erro, distribuída em casa. Os ferozes padeiros do mal.
ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento -me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Vida
E eu só queria ser a canção
E te acordar com uma linda melodia
Ser a brisa da manhã
O sono da tarde
O acalanto da noite.
Eu queria ser as estrelas
Pra brilhar diante de seus olhos
A essência das flores
Que perfumam o jardim
A arte capaz
De transformar pessoas
Fazer Surgir sentimentos
A criatividade que torna cada dia mais excitante
A novidade, que faz os dias diferentes
O belo, que faz as pessoas sorrirem
O feio, que pode se transformar em belo
A poesia que se escreve sozinha
A luz da lua na escuridão
O cheiro de pão quentinho
Uma risada de criança
O vôo de um passarinho
O descanso do dia-dia
A fórmula do esquecimento
Um relógio parado
O dia
O ar
O som.
E eu só queria ser a canção
E te acordar com uma linda melodia
Ser a brisa da manhã
O sono da tarde
O acalanto da noite.
Eu queria ser as estrelas
Pra brilhar diante de seus olhos
A essência das flores
Que perfumam o jardim
A arte capaz
De transformar pessoas
Fazer Surgir sentimentos
A criatividade que torna cada dia mais excitante
A novidade, que faz os dias diferentes
O belo, que faz as pessoas sorrirem
O feio, que pode se transformar em belo
A poesia que se escreve sozinha
A luz da lua na escuridão
O cheiro de pão quentinho
Uma risada de criança
O vôo de um passarinho
O descanso do dia-dia
A fórmula do esquecimento
Um relógio parado
O dia
O ar
O som.
Estou definitivamente convencida de que existem momentos que são únicos, mágicos, inexplicáveis. Nada se repete, mas nada é por acaso. É como alguém* disse um dia: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
Nascente
Flávio Venturini
clareia manhã
o sol vai esconder
a clara estrela
ardente
pérola do céu
refletindo
teus olhos
a luz do dia
a contemplar teu corpo
sedento
louco de prazer
e desejos
ardentes
*Fernando Pessoa.
Nascente
Flávio Venturini
clareia manhã
o sol vai esconder
a clara estrela
ardente
pérola do céu
refletindo
teus olhos
a luz do dia
a contemplar teu corpo
sedento
louco de prazer
e desejos
ardentes
*Fernando Pessoa.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
As rosas exalam...
Difícil dizer o que a gente sente, acho que é por isso que as pessoas criam poemas, músicas. Mas palavras parecem nunca ser suficientes. Definições nunca esclarecem nada. A gente chora, a gente ri, ama , sofre e tenta sintetizar isso em pequenos fragmentos. No entanto, admiro quem faz isso com maestria, aqueles que chegam bem perto de expressar o sentimento por completo e nos fazem sentir junto com eles aquilo que com palavras não se pode dizer.
As rosas não falam
Cartola
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão, enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos, por fim
As rosas não falam
Cartola
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão, enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos, por fim
Mas as rosas não falam...
Peço que esqueça
Esqueça o que já foi,
Ou melhor o que não foi
As palavras não ditas
Os sentimentos não expressados
Os gestos não realizados
A importância não dada
O abraço retido
Os beijos desperdiçados
A ausência
De toque
De cor
De sabor
De viver.
De você.
Esqueça o que já foi,
Ou melhor o que não foi
As palavras não ditas
Os sentimentos não expressados
Os gestos não realizados
A importância não dada
O abraço retido
Os beijos desperdiçados
A ausência
De toque
De cor
De sabor
De viver.
De você.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Início
Esta não é a primeira vez que crio um blog. Alguns já foram criados mas nunca tinha paciência de continuar postando frequentemente e nem tempo para tal. No entanto, agora prentendo seguir em frente com esse, já que a intenção dessa vez é diferente. Um blog numa concepção geral seria nada mais que um diário eletrônico, onde você conta como foi o seu dia, o que aconteceu, o que você está pensando no momento. A idéia aqui é diferente. Não vou contar o que fiz hoje, onde fui e quem encontrei, mas sim o que sinto, o que penso. Acredito que um blog possa ser muito mais do que um diário eletrônico, é um espaço para expressar o que quiser. Entre acordar, tomar café e ir pra faculdade existem outras coisas, aspectos que às vezes ignoramos. Pensamentos e sensações muitas vezes significam muito mais que ações. Agora chega, já falei demais.
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