sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Às vezes eu me pergunto, se o amor entre os seres humanos seria apenas uma ilusão criada para suportar os dissabores do mundo, uma válvula de escape para a realidade nua e crua diante da visão distorcida.
Alguns querem o poder, outros dinheiro (ambos intimamente relacionados), outros querem liberdade, ou simplismente a felicidade. Sim, a felicidade. A busca por ela é a maior demonstração do egoísmo humano, na maioria dos casos é uma busca individual, ignorando o todo. Isso, eu poderia dizer, ser resultado direto da mentalidade capitalista liberal vigente, mas talvez seja muito mais além. Desde que o mundo é mundo, o que impera é a lei do mais forte, é cada um por isso, lutando pela sobrevivência, querendo garantir o seu, prejudicando a do outro ou simplismente se tornando alheia à ela. Paradoxalmente, a felicidade própria depende da existência do outro. As pessoas se relacionam, brigam, se matam; trabalham para si, pensam em si. Na maior parte dos casos, o interesse do outro só se torna interessante a partir do momento em que ele te atinge. E no meio dessa tempestade de egocentrismo, ouvem-se muitos "Eu te amo", "Vocé é a minha vida", " "
"Sem você eu morro". Se pararmos pra pensar esse amor louco capaz de morrer sem a presença do outro não é dedicação ao outro, mas sim uma necessidade de posse do outro para atingir a felicidade própria. A felicidade plena , obviamente é inalcançável, mas eternamente é procurada. Ou então são palavras jogadas que não tem sentido nenhum para quem as pronuncia. Dizer "Eu te amo" é muito fácil, tornando-se até mesmo banal.
Essa reflexão, talvez precipitada da minha parte, apenas é uma gota do que vejo estampado no rosto de muitas pessoas. Amar torna-se cansativo , as pessoas não tem tempo para pensar nas outras, os relacionamentos são superficiais e pouco duráveis. Pintar as coisas é uma tarefa boba, vivê-las é a parte árdua.
Para os românticos, para mim, torna-se difícil bater de frente à essas coisas.
A despeito da primeira frase do texto, termino por fielmente acreditar no ser humano, na sua capacidade de trnasformação, na sua consciência. O mundo pode ser mudado, as relações humanas alteradas. Concordo com Drummond, flores nascem e nascerão nas ruas, furando o tédio, o nojo e o ódio.